O abraço largo que cabe o mundo

Dizer que nascemos da barriga de uma mulher é fato.

Mas acho que nascemos mesmo é do coração, do olhar, do peito (que amamenta), da voz doce e atenta que já chamava por cada um de nós quando a gente nem existia.

Sim, porque as mães nascem bem antes dos filhos chegarem ao mundo. Nascem do pensamento, do desejo e da escolha de serem quem são.

Quando as encontramos seus braços formam laços que embalam, dançam a força de amar, de proteger, de ensinar, de repreender e de se derreter.

Braços que criam abraços de tamanho único para toda e qualquer idade. Neles cabem nossas dores, tristezas, alegrias, nossos sonhos, medos e estripulias.

Cabem o mundo de sabedoria e aprendizado. Com esses laços aprendemos, por exemplo, que amar é, especialmente cuidar. De perto ou de longe, o cuidado de mãe nos mantém seguros e dispostos a seguir, sempre em frente.

São muitos laços e diferente abraços. Há abraços que confortam sem nem ao menos tocar. Há aqueles que prendem, há os que são mais, digamos, maleáveis, e há os que libertam. Em todos os níveis e modalidades, o comum dos afetos de mãe é a força geradora de vida e amor.

No abraço de mãe nos largamos no mundo. Profundos e largos, seus braços abarcam e acalmam. Somos parte dela, olho, peito, boca, coração, respiração, pensamento, desejo, realização, cuidado!

Cuidem! Feliz dia para a figura feminina que gera a vida!

Dedico esse texto, em especial, aos filhos e mães que em função da pandemia do novo coronavírus não conseguiram realizar o desejo de um último abraço.

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