AoMAReu

Na tua presença calo o sentir e o pensar, quando sinto e penso

E fico remoendo, remoendo, remoendo

As palavras não ditas corroem o meu âmago, minuto a minuto

E não durmo, nem me aturo

Há dias quero que sintas, para que eu não diga

Para que o encanto do casual não se quebre

E o amanhã não seja uma sombra do que passou

Teu olhar me comove, quero mergulhar nele a cada instante que estou com você

Mas não sei como…

É como uma onda gigante no mar, que me magnetiza, atrai, mas ao mesmo tempo me repele e me faz tão pequena que chego a achar impossível alcançar, penetrar

 Na calmaria do continente, um enorme plano para descanso e contemplação

E com o qual também não consigo lidar…

A areia voa com o vento e foge de mim. Passa por minha pele, com pressa

Machuca e joga meu corpo para o mar novamente

Onde repousa a onda forte, assustadoramente atraente

Tento balançar sobre ela, dançando o seu movimento

E ela quebra

Como quem diz:

“Se pretende me alcançar, desfaço-me em espuma. Não seremos nós, serei eu, somente, e será você, simplesmente”

De repente, ela retorna ao mar, em uma imensa solidão. E eu, aqui, à espera de novo balançar.

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