Estamos no mês dedicado à prevenção ao suicídio. A campanha ‘Setembro Amarelo’ existe há seis anos no Brasil e faz alertas importantes sobre as relações humanas e a maneira como lidamos com nossas emoções. É uma tarefa árdua porque raramente paramos para avaliar nosso estado de espírito quando o cotidiano nos empurra ao cumprimento de atividades necessárias à sobrevivência. O trabalho que ocupa longas horas do nosso dia a dia, as atividades domésticas, a espera no ponto de ônibus e o tempo de cada viagem, a atenção aos filhos, família, conserto de carro, reforma da casa, trânsito, contas, boletos, projetos para alcance de metas financeiras, desemprego…tudo ao mesmo tempo e sem um único intervalo para respirar.
O desafio não é parar o tempo ou o cotidiano para buscar o bem estar, mas reconhecer-se capaz de identificar o que te faz feliz, triste, chateado ou frustrado, cansado ou revigorado, o que é importante e o que é necessário e quando e como fazer cada coisa no seu tempo e ritmo, conforme sua escolha e arbítrio.
Acolhendo e entendendo o que se passa com você nesse carrossel de emoções, o próximo passo é enxergar o que se passa com quem está ao seu lado. Aceitar que o tempo e modo de ser de alguém é diferente do tempo e modo de ser do outro e perceber que a alegria de um pode não ser a do outro. Assim como a tristeza de um pode passar rápido, a do outro pode levar a lágrimas frequentes e dores insuportáveis. A emoção é a mesma, mas a forma como se sente tal qual o motivo pela qual é despertada, não. Já o desejo de ser e estar bem é comum a todos.
A todo instante e em qualquer circunstância buscamos somente o êxito como sinônimo de felicidade. Para as contrariedades, o lugar do evitável. Como se fosse possível atravessar um rio sem se molhar, ou chegar no topo de uma escada sem ter pisado degrau por degrau.
Somos imersos em um jogo onde a próxima fase é sempre a mais difícil e nunca há um final com a recompensa porque aprendemos que o sucesso só vem quando todas as etapas são cumpridas. Mas, e o processo? E a simples decisão de não jogar? Uma vez no jogo, seguir ou parar? Observar e aprender? Avançar e recolher? A cada dia e em cada atividade que realizamos aceitamos dialogar com a vida. E não estamos sozinhos. O diálogo se expande com cada pessoa que encontramos no trabalho, no mercado, na padaria, na rua, no ponto de ônibus, na sala de espera de um consultório médico, na fila do banco, na família.
Tão pouco conseguimos elaborar projetos e metas de vida sem a troca ou o mínimo pulsar de relação humana. Pense por um instante, no exercício de atividades cotidianas, com quantas pessoas você se relaciona e o quanto do que você usufrui é fruto de uma ação humana? É possível sermos um sem o outro? É possível sermos humanidade sem atentarmos para o que cada um é, sente e realiza?
Mais do que prevenção ao suicídio, o setembro amarelo nos desperta para sermos melhores como humanos. Melhores conosco e melhores com os outros. O cuidado com um é o cuidado com todos. Regras simples do jogo da vida: olhar no olho, reconhecer o outro como um sujeito de direitos igual a você, ser e deixar ser. E os alertas de um caminhar mais saudável: quer ser ouvido, escute; quer ser respeitado, respeite; quer ser amado, ame. A vida é acolhedora, nós também devemos ser!
10 de setembro – Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio